Caldelas: canil promete acabar com reinado dos cães vadios

Posted: 2 Fevereiro, 2002 in Amares, Ambiente, Animais, Braga, Caldelas, Minho, Política, Portugal, Reportagem, Social

O perigo provocado pelo elevado número de cães vadios na vila de Caldelas está á beira de uma resolução.


Ovelha morta por cães vadios

A construção de um canil poderá ser uma realidade a breve prazo. A estrutura será gerida pela Junta de Freguesia, contando com o apoio da Câmara Municipal.

A Câmara Municipal de Amares e a Junta de Freguesia de Caldelas estão a estudar a hipótese da construção de um canil na freguesia, para albergar a enorme quantidade de cães vadios que põem em causa a saúde publica e a integridade física de animais e transeuntes da vila termal. Coelhos, galinhas e até ovelhas tem sido alvo do ‘apetite’ dos canídeos, que vagueiam livremente pelas ruas e actuam em autenticas matilhas, beneficiando ainda de ‘alojamento’ no ‘Grande Hotel de Caldelas’, actualmente em ruínas. As unidades hoteleiras da vila, são também grandes fornecedoras de alimentação.

A quantidade de cães vadios na freguesia de Caldelas tem crescido de forma significativa, tendo provocado a revolta da população local, que alerta para o facto de, além do perigo para a integridade física dos cidadãos locais e visitantes da vila, a situação não constitui propriamente um bom cartão de visita para uma localidade que vive essencialmente do turismo.

A situação agudiza a decadência económica e turística da vila termal, mas a maior pressão para se acabar com o problema – que reside sobretudo no centro de Caldelas – tem sido feita em maior escala pelos agricultores locais, que se queixam dos prejuízos nas suas culturas e nos animais domésticos.

A construção de um canil municipal é apontada pela população como uma necessidade cuja execução deve avançar urgentemente, até porque o problema é velho e “já foi longe demais”. “O importante é que se resolvam as coisas antes que aconteçam desgraças”, defende um comerciante local, alertando ainda para os perigos ” resultantes do contacto das crianças com os animais, normalmente portadores de doenças e infestados de parasitas.

A invasão dos cães em Caldelas verifica-se por vários factores. Há quem se queixe de que os turistas da época termal deixam abandonados os animais que lhes fizeram companhia nas férias, mas o maior problema parece residir na abundância de restos de comida existentes nas imediações de hotéis e pensões locais.

O saneamento e tratamento de esgotos e igualmente uma velha questão em Caldelas, de onde surgem também denuncias quanto à poluição do ribeiro da vila que desagua no rio Homem, contribuindo de forma determinante para o agravamento da deterioração da qualidade de água, conforme testemunharam recentemente agrupamentos de escuteiros que visitaram aquela zona fluvial. No ribeiro, além de restos de comida – como arroz, espinhas e ossos -, eram igualmente visíveis resíduos de papel, plásticos e até fezes, denunciando o despejo directo de esgotos.

Além disso, o abandono a que se encontram as ruínas do antigo ‘Grande Hotel de Caldelas’ – sem qualquer intervenção depois do incêndio que há já longos anos consumiu por completo aquela estrutura – constitui um verdadeiro ninho para albergue e procriação dos animais.

O futuro canil assume-se, por isso, como uma estrutura de reacção e minoração do problema de Caldelas, onde será ainda necessário acabar com situações de proliferação de verdadeiros ‘cancros’ ambientais e paisagísticos.

2002/02/14 in TERRAS DO HOMEM

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