Morreu o mestre Quintino “pai dos santinhos de granito de Esposende”.

Posted: 12 Janeiro, 2004 in Portugal

O escultor Quintino Vilas Boas Neto morreu ao início da madrugada do passado dia 8 de Janeiro, com 89 anos no hospital de Esposende, devido a problemas pulmonares.

Manuel Araújo

A notícia da sua morte comoveu familiares e amigos, que compareceram em grande número no seu funeral, para lhe prestar a última homenagem.

O escultor, deixa uma vasta obra, mas dispersa, que ultrapassou fronteiras e está por toda a parte, em museus, galerias, ruas, praças, jardins, igrejas e capelas, nos prédios públicos e particulares. O artista morreu, mas a sua obra continua viva entre nós.

No ano de 2002, a Câmara Municipal de Esposende atribuiu ao escultor Quintino Vilas Boas Neto, a Medalha de Mérito Municipal do Município, como reconhecimento dos munícipes de Esposende, à sua obra e ao seu contributo artístico da arte de trabalhar o granito na região.

Quintino Vilas Boas Neto nasceu em Esposende a 15 de Março de 1915, oriundo de uma família modesta, mas com grandes tradições no trabalho do granito. Aprendeu com o seu pai a arte do lavrar a pedra, na qual desenvolveu uma actividade económica e, essencialmente, cultural.

Descobriu bem cedo um certo talento para a criação artística, porém a necessidade de ganhar dinheiro para poder sustentar a família, fez com que o artesão se dedicasse mais aos seus compromissos profissionais nos primeiros anos de actividade.

Uns anos mais tarde, nos finais da década de sessenta, pode satisfazer a sua pretensão de criar as suas próprias esculturas. Mestre Quintino trabalhou durante muitos anos como canteiro e lavrista, ao longo dos quais saíram das suas mãos peças que continuam a embelezar e a prestigiar casas e capelas por todo o território nacional.

As primeiras peças em granito que fizeram e fazem parte da história da escultura popular no concelho, saíram das mãos do Mestre Quintino, podendo este mesmo ser apelidado o “pai dos santinhos de granito de Esposende”.

Foram homens como o Quintino Vilas Boas Neto, que o concelho de Esposende se tornou conhecido pelos sete cantos do mundo. Só com muito trabalho, dedicação, poder criativo, amor à própria terra, que a arte popular dos Santos em Granito é hoje em dia um dos cartões de visita da região.

Ensinou a arte aos filhos e a todos aqueles que quiseram seguir a arte de “escultores populares”, mantendo estes nos dias de hoje a tradição com novas criações.

O Mestre Quintino criou dezenas de trabalhos em granito, mármore e madeira, conforme as encomendas; Santos, Santas, fogões de sala, nichos, mulheres e homens nus — “fazia tudo o que me pediam, a vida era dura… cheguei a vender obras a 100 escudos, era uma autêntica miséria…”.— confessou.

Aquando a sua homenagem, pleno de jovialidade, recordou os momentos áureos das entrevistas que deu a jornais e revistas e a visita a um programa televisivo, muito famoso na altura, que muitos se recordarão por certo, o “ZIP ZIP”, que tinha como apresentadores o Raul Solnado, Fialho Gouveia e o mediático Carlos Cruz.

Expôs várias vezes na costa do Estoril e na Feira Internacional de Lisboa, ainda antes do 25 de Abril. Recorda com malícia um episódio num desses certames, onde um Ministro daquele tempo (Estado Novo) o obrigou a reduzir ao tamanho do pénis de uma estátua de pedra, apenas porque este achou que “o coiso” era comprido demais; …“ e ali mesmo tive de fazer a operação”… contou-nos com um largo sorriso de malícia.

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