Há 42 anos a PIDE assassinou o “General sem medo”

Posted: 13 Fevereiro, 2007 in Portugal

Neste dia, em Fevereiro de 1965, o general Humberto Delgado era cobardemente assassinado na localidade espanhola de Villanueva del Fresno, por uma brigada da PIDE, polícia política do regime opressor de Oliveira Salazar.

Humberto da Silva Delgado conhecido como o “General Sem Medo” encabeçou o principal movimento de tentativa de derrube da ditadura salazarista através de eleições, tendo contudo sido derrotado nas urnas, num processo eleitoral fraudulento, que desta forma deu a vitória ao candidato do regime ditatorial vigente, Américo Thomaz

OBVIAMENTE, DEMITO-O…

Conferência de Imprensa de Humberto Delgado no Café Chave d'Ouro em Lisboa, a 10 de Maio de 1958.

O Café Chave de Ouro está repleto. Estamos a 10 de Maio de 1958, a um mês das eleições para a Presidência da Republica. Primeiro acto público com a presença do Candidato Humberto Delgado depois de iniciado oficialmente o período eleitoral.À nossa volta personalidades de todos os matizes políticos que se opõem ao regime salazarista. E certamente não só. A Polícia Política, de uma forma ou de outra não deixará de aí ter ouvidos e olhos para, como usualmente, saber o que se passa e com quem se passa…O professor Vieira de Almeida, o primeiro orador, com o brilhantismo que levava às suas aulas gente de todas as escolas superiores de Lisboa, depois de referir a surpresa enorme que teve pela sua investidura como Presidente da Comissão Nacional da Candidatura, considera-a explicada pela presença de tantas pessoas que representam tão diversas correntes de opinião.Faz de seguida a apresentação de Humberto Delgado, General, candidato independente. Não procura o apoio de partido algum. Apresenta-se sem compromissos partidários. Aceita o apoio de todos os homens de boa vontade. Desassombradamente, sem desconhecer o risco que corre. Explica que tal não significa que se considerem em si mesmos ilegítimos os partidos. Pelo contrário.

Acrescenta que “a decisão de apresentar a candidatura é tanto mais meritória quanto as condições são nitidamente desfavoráveis”.

Ergue-se Humberto Delgado. A expectativa não pode ser maior. A sala está suspensa do que seguirá. Os minutos seguintes justificam-na, se todo o cenário não a tivesse justificado já.

O General começa por agradecer as variadas presenças. Propõe-se responder às perguntas dos jornalistas. Critica o Governo e a União Nacional pela sonegação dos cadernos eleitorais à oposição. O que “integra a tendência de todas as ditaduras para a crueldade”. Prossegue:

“O Governo não abranda as suas tradicionais perseguições à oposição”.

Refuta a referência de determinado jornal à sua candidatura como sendo apoiada por uma potência estrangeira a que contrapõe o carácter indiscutivelmente nacionalista da sua posição desde sempre. Surge a primeira pergunta, do correspondente da France Press.

“Qual a sua atitude para com o Sr. Presidente do Conselho se for eleito?”

E a resposta, imediata, enérgica, sem uma hesitação, sem um tremor:

Obviamente, demito-o“.

É difícil acreditar no que estamos a ouvir. Mais que uma frase, é uma bomba. Uma revolução. Por terra a muralha que se opõe ao sacrilégio de dizer em público palavras agressivas ou menos respeitosas para com o “Chefe Supremo”.

Rebentar da bomba que verdadeiramente inicia o caminho que o introduz na História, e lhe carreia o cognome de “General sem Medo”.

Mais em: http://www.vidaslusofonas.pt/humberto_delgado.htm

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