Ainda, “O maior português de sempre”…

Posted: 16 Abril, 2007 in emigração, Liberdade, Literatura, Opinião, Política, Portugal, Social

A propósito do polémico programa da RTP, o “O maior português de sempre”, que deu a “vitória” a António de Oliveira Salazar, recebi do leitor e amigo Luís Beja, este texto cronológico, de alguns dos “feitos”, de que se podem orgulhar os seguidores do “vencedor” Salazar. É bom, que estes factos históricos, estejam presentes na memória colectiva e individual.

Em 1931

O estudante V. Branco morto pela PSP, durante uma manifestação no Porto;

Em 1932

Armando Ramos, jovem, morto em consequência de espancamentos; Aurélio Dias, fragateiro, é morto após 30 dias de tortura; Alfredo Ruas, é assassinado a tiro durante uma manifestação em Lisboa;

Em 1934, 18 de Janeiro

Américo Gomes, operário, morre em Peniche após dois meses de tortura; Manuel Vieira Tomé, sindicalista ferroviário morre durante a tortura em consequência da repressão da greve; Júlio Pinto, operário vidreiro, morto à pancada; a PSP mata um operário conserveiro durante a repressão de uma greve em Setúbal.

Em 1935

Ferreira de Abreu, dirigente da organização juvenil do PCP, morre no hospital após ter sido espancado na sede da PIDE (PVDE);

Em 1936

Francisco Cruz, operário da Marinha Grande, morre na Fortaleza de Angra do Heroísmo, vítima de maus-tratos, é deportado do 18 de Janeiro de 1934; Manuel Pestana Garcez, trabalhador, é morto durante a tortura;

Em 1937

Ernesto Faustino, operário; José Lopes, operário anarquista, morre durante a tortura, sendo um dos presos da onda de repressão que se seguiu ao atentado a Salazar; Manuel Salgueiro Valente, tenente-coronel, morre em condições suspeitas no forte de Caxias; Augusto Costa, operário da Marinha Grande, Rafael Tobias Pinto da Silva, de Lisboa, Francisco Domingues Quintas, de Gaia, Francisco Manuel Pereira, marinheiro de Lisboa, Pedro Matos Filipe, de Almada e Cândido Alves Barja, marinheiro, de Castro Verde, morrem no espaço de quatro dias no Tarrafal, vítimas das febres e dos maus tratos; Augusto Almeida Martins, operário, é assassinado na sede da PIDE (PVDE) durante a tortura; Abílio Augusto Belchior, operário do Porto, morre no Tarrafal, vítima das febres e dos maus-tratos;

Em 1938

António Mano Fernandes, estudante de Coimbra, morre no Forte de Peniche, por lhe ter sido recusada assistência médica, sofria de doença cardíaca; Rui Ricardo da Silva, operário do Arsenal, morre no Aljube, devido a tuberculose contraída em consequência de espancamento perpetrado por seis agentes da PIDE durante oito horas; Arnaldo Simões Januário, dirigente anarco-sindicalista, morre no campo do Tarrafal, vítima de maus-tratos; Francisco Esteves, operário torneiro de Lisboa, morre na tortura na sede da PIDE; Alfredo Caldeira, pintor, dirigente do PCP, morre no Tarrafal após lenta agonia sem assistência médica;

Em 1939

Fernando Alcobia, morre no Tarrafal, vítima de doença e de maus-tratos;

Em 1940

Jaime Fonseca de Sousa, morre no Tarrafal, vítima de maus-tratos; Albino Coelho, morre também no Tarrafal; Mário Castelhano, dirigente anarco-sindicalista, morre sem assistência médica no Tarrafal;

Em 1941

Jacinto Faria Vilaça, Casimiro Ferreira; Albino de Carvalho; António Guedes Oliveira e Silva; Ernesto José Ribeiro, operário, e José Lopes Dinis morrem no Tarrafal;

Em 1942

Henrique Domingues Fernandes morre no Tarrafal; Carlos Ferreira Soares, médico, é assassinado no seu consultório com rajadas de metralhadora, os agentes assassinos alegam legítima defesa (?!); Bento António Gonçalves, secretário-geral do P. C. P. Morre no Tarrafal; Damásio Martins Pereira, fragateiro, morre no Tarrafal; Fernando Óscar Gaspar, morre tuberculoso no regresso da deportação; António de Jesus Branco morre no Tarrafal;

Em 1943

Rosa Morgado, camponesa do Ameal (Águeda), e os seus filhos, António, Júlio e Constantina, mortos a tiro pela GNR; Paulo José Dias morre tuberculoso no Tarrafal; Joaquim Montes morre no Tarrafal com febre biliosa; José Manuel Alves dos Reis morre no Tarrafal; Américo Lourenço Nunes, operário, morre em consequência de espancamento perpetrado durante a repressão da greve de Agosto na região de Lisboa; Francisco do Nascimento Gomes, do Porto, morre no Tarrafal; Francisco dos Reis Gomes, operário da Carris do Porto, é morto durante a tortura;

Em 1944

General José Garcia Godinho morre no Forte da Trafaria, por lhe ser recusado internamento hospitalar; Francisco Ferreira Marques, de Lisboa, militante do PCP, em consequência de espancamento e após mês e meio de incomunicabilidade; Edmundo Gonçalves morre tuberculoso no Tarrafal; assassinados a tiro de metralhadora uma mulher e uma criança, durante a repressão da GNR sobre os camponeses rendeiros da herdade da Goucha (Benavente), mais 40 camponeses feridos a tiro.

Em 1945

Manuel Augusto da Costa morre no Tarrafal; Germano Vidigal, operário, assassinado com esmagamento dos testículos, depois de três dias de tortura no posto da GNR de Montemor-o-Novo; Alfredo Dinis (Alex), operário e dirigente do PCP, é assassinado a tiro na estrada de Bucelas; José António Companheiro, operário, de Borba, morre de tuberculose em consequência dos maus-tratos na prisão;

Em 1946

Manuel Simões Júnior, operário corticeiro, morre de tuberculose após doze anos de prisão e de deportação; Joaquim Correia, operário litografo do Porto, é morto por espancamento após quinze meses de prisão;

Em 1947

José Patuleia, assalariado rural de Vila Viçosa, morre durante a tortura na sede da PIDE;

Em 1948

António Lopes de Almeida, operário da Marinha Grande, é morto durante a tortura; Artur de Oliveira morre no Tarrafal; Joaquim Barreiros, marinheiro da Armada, morre no Tarrafal após doze anos de deportação; António Guerra, operário da Marinha Grande, preso desde 18 de Janeiro de 1934, morre quase cego e após doença prolongada;

Em 1950

Militão Bessa Ribeiro, operário e dirigente do PCP, morre na Penitenciaria de Lisboa, durante uma greve de fome e após nove meses de incomunicabilidade; José Moreira, operário, assassinado na tortura na sede da PIDE, dois dias após a prisão, o corpo largado por uma janela do quarto andar para simular suicídio; Venceslau Ferreira morre em Lisboa após tortura; Alfredo Dias Lima, assalariado rural, é assassinado a tiro pela GNR durante uma manifestação em Alpiarça;

Em 1951

Gervásio da Costa, operário de Fafe, morre vítima de maus-tratos na prisão;

Em 1954

Catarina Eufémia, assalariada rural, assassinada a tiro em Baleizão, durante uma greve, grávida e com uma filha nos braços;

Em 1957

Joaquim Lemos Oliveira, barbeiro de Fafe, morre na sede da PIDE no Porto após quinze dias de tortura; Manuel da Silva Júnior, de Viana do Castelo, é morto durante a tortura na sede da PIDE no Porto, sendo o corpo, irreconhecível, enterrado ás escondidas num cemitério do Porto; José Centeio, assalariado rural de Alpiarça, e assassinado pela PIDE;

Em 1958

José Adelino dos Santos, assalariado rural, e assassinado a tiro pela GNR, durante uma manifestação em Montemor-o-Novo, vários outros trabalhadores feridos a tiro; Raul Alves, operário da Póvoa de Santa Iria, após quinze dias de tortura, e largado por uma janela do quarto andar da sede da PIDE, ` sua morte assiste a esposa do embaixador do Brasil;

Em 1961

Cândido Martins Capilé, operário corticeiro, e assassinado a tiro pela GNR durante uma manifestação em Almada; José Dias Coelho, escultor e militante do PCP, é assassinado á queima-roupa numa rua de Lisboa;

Em 1962

António Graciano Adágio e Francisco Madeira, mineiros em Aljustrel, assassinados a tiro pela GNR; Estêvão Giro, operário de Alcochete, e assassinado a tiro pela PSP durante a manifestação do 1: de Maio em Lisboa;

Em 1963

Agostinho Fineza, operário tipógrafo do Funchal, é assassinado pela PSP, sob a indicação da PIDE, durante uma manifestação em Lisboa;

Em 1964

Francisco Brito, desertor da guerra colonial, e assassinado em Loulé pela GNR; David Almeida Reis, trabalhador, assassinado por agentes da PIDE durante uma manifestação em Lisboa;

Em 1965

General Humberto Delgado e a sua secretaria Arajaryr Campos assassinados a tiro em Vila Nueva del Fresno (Espanha), os assassinos o inspector da PIDE Rosa Casaco e o sub-inspector Agostinho Tienza e o agente Casimiro Monteiro;

Em 1967

Manuel Agostinho Góis, trabalhador agrícola de Cuba, more vítima de tortura na PIDE;

Em 1968

Luís António Firmino, trabalhador de Montemor, morre em Caxias, vítima de maus-tratos; Herculano Augusto, trabalhador rural, é morto espancado no posto da PSP de Lamego por condenar publicamente a guerra colonial; Daniel Teixeira, estudante, morre no Forte de Caxias, em situação de incomunicabilidade, depois de agonizar durante uma noite sem assistência;

Em 1969

Eduardo Mondlane, dirigente da Frelimo, assassinado através de um atentado organizado pela PIDE;

Em 1972

José António Leitão Ribeiro Santos, estudante de Direito em Lisboa e militante do MRPP, assassinado a tiro durante uma reunião de apoio à luta do povo vietnamita e contra a repressão, o seu assassino, o agente da PIDE Coelha da Rocha, viria a escapar-se na ” fuga – libertação” de Alcoentre, em Junho de 1975;

Em 1973

Amílcar Cabral, dirigente da luta de libertação da Guiné e Cabo Verde, é assassinado por um bando mercenário a soldo da PIDE, chefiado por Alpoim Galvão;

Em 1974, 25 de Abril

Fernando Carvalho Gesteira, de Montalegre, José Barreto, de Vendas Novas, Fernando Barreiros dos Reis, soldado de Lisboa, e José Guilherme Rego Arruda, estudante dos Açores, assassinados a tiro pelos pides acoitados na sua sede na Rua António Maria Cardoso, ainda feridas duas dezenas de pessoas.

A PIDE acaba como começou, assassinando. Aqui ficam contabilizadas as inúmeras vítimas anónimas da PIDE, GNR e PSP em outros locais de repressão.

Mais ainda…

Podemos referir, duas centenas de homens, mulheres e crianças massacradas a tiro de canhão durante o bombardeamento da cidade do Porto, ordenada pelo coronel Passos e Sousa, na repressão da revolta de 3 de Fevereiro de 1927. Dezenas de mortos na repressão da revolta de 7 de Fevereiro de 1927 em Lisboa, vários deles assassinados por um pelotão de fuzilamento, ás ordens do capitão Jorge Botelho Moniz, no Jardim Zoológico.

Dezenas de mortos na repressão da revolta da Madeira, em Abril de 1931, ou outras tantas dezenas na repressão da revolta de 26 de Agosto de 1931. Um número indeterminado de mortos na deportação na Guiné, Timor, Angra e no Cunene. Um número indeterminado de mortos devido à intervenção da força fascista dos “Viriatos” na guerra civil de Espanha e a entrega de fugitivos aos pelotões de fuzilamento franquista, as Dezenas de mortos em São Tomé, na repressão ordenada pelo governador Carlos Gorgulho sobre os trabalhadores que recusaram o trabalho forçado, em Fevereiro de 1953. Muitos milhares de mortos durante as guerras coloniais, vítimas do Exército, da PIDE, da OPVDC, dos “Flechas”, etc.

Comentários
  1. […] vezes, os prisioneiros eram deportados para o Tarrafal, o campo de concentração do Salazar, onde muitos morreram sem serem sequer […]

  2. […] dos Cravos” O levantamento militar do dia 25 de Abril de 1974 derrubou, num só dia, o regime político que vigorava em Portugal desde 1926, sem grande resistência das forças leais ao governo, que cederam perante o movimento […]

  3. […] os prisioneiros eram deportados para o Tarrafal, o campo de concentração do Salazar, onde muitos morreram sem […]

  4. luis afonso diz:

    No pós 25 Abril quantos firam mortos pelos Revolucionários cuja mão armada foi o assasino de serviço Otelo Saraiva e Carvalho, e também gente do Ralis. etc, etc, etc. Isso não conta? OMaior Potuguês de Sempre não é *Polémico* pois foi resultado de uma consulta livre a todos os Portuguese: ou o modelo Democrático neste caso não é válido?

    • António Carvalho diz:

      Caro Luís Afonso: Os Revolucionários e também «gente» do Ralis que refere no seu comentário foram os Capitães de Abril que libertaram o Povo Português de quase meio-século de ditadura Salazarista. Quem matou no dia da Revolução, na Rua António Maria Cardoso foram os pides que, encurralados no edifício-Sede da Pide, dispararam sobre pessoas indefesas como, aliás, sempre o fizeram ao longo da sua existência. Quanto ao facto do ditador salazar ter sido eleito «o maior português de sempre» num medíocre programa de televisão, mereceu o maior repúdio da grande maioria do Povo Português. Relativamente ao Otelo Saraiva de Carvalho, foi um militar de Abril que, depois de consomada a Revolução, optou por caminhos aventureiristas, nos quais o povo português jamais se reviu. Disse.

  5. Luis A. Afinso diz:

    Meu pleonástico Carvalho:

    Tenho por honra, por exigência, por rducação, usar o mesmo grau de aferição para todos os casos que se me deparam: por isso uso as mesmas expressões quer me sejam simpáticas, quer não sejam assim. Como vê estou completamente nos antípodas dos porta-estandartes, cabeças de vento, adesivos e fanáticos que V.Ex. tão rficazmente representa. Para mim assassino
    seja Otelo Saraiva de Carvalho, seja quem for, significa aquela que tira a vida a pessoas. NUNCA QUÉM OPTA por caminhos aventureiristas (!!!???) como tão
    imbecilemente escolheu para classificat/perdoar/quiçá enaltecer os assassinatos da tristemente célebre Brigadas 25 de Abril.
    A qualidade dos Revoucionários foi aliás confirmada pela absolvição das mortes
    sqguida da maior das afrontas à Moral : a pública homenagem da referida pessoa.
    Mais de meio milhão de desempregados, TRINTA MIL pessoas passando fome em Portugal, eis o palmarés que os idiotas, como o Senhor Carvalho, ostentam com oegulho. Depois do qie foi prometido em 1974. . .

    O Poder precisa de áulicos e estes não se escusam de servirem-se do Erário
    que até por desigmnação é Público.

    Você não merece a mecha, quanto mais o sebo!

    Luís
    eie

Deixe uma Resposta

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s