Nem tudo o que parece, é…

Posted: 24 Maio, 2007 in Droga, Justiça, Liberdade, Minho, Opinião, Política, Portugal, Sida, Social

 

O viciado em drogas, é no imaginário colectivo, uma pessoa sem princípios, um fora de Lei, pronto a cometer ilegalidades, que lhe permita obter proventos para poder saciar o seu vício diário.

O viciado em drogas, é discriminado e por vezes agredido fisicamente como já observei, quando mendiga uma moeda nas ruas ou parques das grandes superfícies da cidade.

Não vou aqui falar dos motivos pelos quais eles entraram naquela “vida”, nem tão pouco indicar soluções para os tirar do vício e da rua. Vou apenas, reportar um caso passado comigo hoje, que me sensibilizou e quero aqui partilhar e veio reforçar o que penso sobre estes homens e mulheres que são autênticos escravos do vício e de que também, não devem ser julgados precipitadamente…

Ao fim do dia, de regresso a casa, passei por uma “grande superfície” para fazer algumas compras de última hora.

Apressado, faço as compras e de regresso ao parque, deparo que havia deixado o carro aberto e junto a ele estava um “desses” discriminados da sociedade, que sorridente disse-me, para não me preocupar, porque — “ninguém mexeu em nada, não saí daqui” e adiantou — “olhe, hoje já foram três assim… anda tudo muito apressado”.

Dentro do carro, à vista desarmada podia ver-se uma pasta de transporte de um laptop, uma máquina fotográfica digital e dois telemóveis. Nada tinha sido mexido, estava lá tudo… intacto.

O estigma e a discriminação que estes homens e mulheres enfrentam são duros e injustos, pois, são fruto da nossa sociedade e não são os únicos culpados da terrível situação que vivem.

E que fique claro, eles não são todos iguais e o Adriano não é.

Comentários
  1. Helena Antunes diz:

    Antes de mais permita-me que faça uma correcção: o mais correcto é falar-se em dependente de drogas(logo, toxicodependentes) e não viciados em drogas.

    De verdade, o toxicodependente é visto como um delinquente, um ladrão, um criminoso não porque de facto o seja mas porque sentem que a sociedade os vê como tal.

    A discriminação e estigma social e comportamental de que estes indivíduos padecem são duros e injustos somente em parte. Não são apenas fruto da sociedade como diz, são sobretudo fruto deles próprios. Talvez não saiba mas o próprio indivíduo toxicodependente, mais do que a sociedade o rotular como marginal e delinquente, ele auto-rotula-se como tal. É o toxicodependente o principal agente do seu isolamento social e posterior exclusão. Sobretudo aquando dos consumos são indivíduos que se remetem ao isolamento, consideram-se diferentes, marginais e excluidos.

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