BOOM: NO PRINCÍPIO ERA O ROCK

Posted: 1 Julho, 2007 in Espectáculo, Música, Portugal, UHF

O 25 de Abril tinha acontecido há meia dúzia de anos. E com ele havia chegado o fim da censura e a abertura da rádio à música anglo-saxónica. A new-wave, filha pródiga do punk, foi mais que suficiente para incitar uma geração de músicos a tocar guitarras eléctricas e a cantar em português. Um português que não excluía as suas cambiantes mais vernáculas, vindas directamente das ruas.

Ilustrações Hélder Oliveira / Who

Texto Rui Miguel Abreu

 

  

Estávamos em 1980 e nascia então uma geração de músicos que – hoje já não restam dúvidas – foi a primeira a assumir uma identidade claramente europeia e a impor um modo de funcionamento próprio da indústria discográfica internacional. Viagem ao turbilhão de 80 que ficou conhecido por boom do rock português, época em que um verdadeiro manancial de novas bandas se estreou, deixando alguns sucessos memoráveis e outros que nem por isso. Que deixou, sobretudo, uma geração que ainda hoje dá cartas: de Rui Veloso aos UHF, dos Xutos & Pontapés aos GNR.

Uma rápida vista de olhos pelas listas de edições em território nacional, incluídas no número de Maio/Junho de 1979 da histórica revista Música & Som, revela que existia um enorme deserto no que a lançamentos de rock português dizia respeito. De todos os discos – singles e LPs – colocados no mercado nesse período, por marcas como Imavox, Polygram, Rádio Triunfo, Rossil, Telectra e Valentim de Carvalho, nem um se podia colocar no «saco» estético do rock português. Claro que há uma história do rock em Portugal na década de 70 – e nós até já a contámos (no número 7 da BLITZ) – mas os lançamentos discográficos nessa época eram demasiado esporádicos para se detectar uma movimentação de fundo. Apesar disso, a engrenagem que havia de desembocar na explosão criativa e editorial do arranque dos anos 80 estava já em marcha. O movimento punk internacional tinha chegado a Portugal e os Aqui d’El Rock até já tinham editado (em 1978), posicionando-se na vanguarda de uma cena que se começava a definir: «acho que nesse contexto, e nessa altura, se podiam classificar como bandas do género, além dos Aqui d’El-Rock, os Faíscas, UHF, Xutos & Pontapés, Minas & Armadilhas… Foi aí que se começou a definir uma cena, a tal que ganhou a designação de “boom do rock português”», explica JC Serra, baterista dos históricos Aqui d’El Rock.

 

Quando falámos com Rui Pregal da Cunha (no número 3 da BLITZ), a propósito dos primeiros passos dos Heróis do Mar, desenhou-se um mapa das noites de Lisboa no final dos anos 70 e inícios de 80: «O Pedro [Ayres Magalhães] parava mais pelo Brown’s, ali perto do Centro Comercial Roma, mas acabávamos todos por nos encontrarmos ao fim da noite no Trumps». O Brown’s foi, de facto, importante e foi aí que, no final de 1978, os UHF se estrearam – num concerto em que também participaram os Aqui d’El Rock e os Faíscas, de Dedos Tubarão, também conhecido por Pedro Ayres Magalhães. O manager dos Faíscas nessa altura era Zé Pedro, dos Xutos & Pontapés. No ano seguinte, os UHF lançaram-se nas edições com um EP, intitulado «Jorge Morreu», na mesma Metro-Som dos Aqui d’El Rock, preparando então a ponte entre a minúscula cena punk de finais dos anos 70 e o boom do arranque dos 80 – para que haviam de contribuir de forma decisiva com «Cavalos de Corrida». Só faltava um catalizador qualquer. Como uma greve de músicos sindicalizados, por exemplo…

 

 

Contra a corrente

«Nessa altura, o evento dominante da indústria era o Festival da Canção», refere Francisco Vasconcelos, hoje presidente das Edições Valentim de Carvalho. «E houve uma greve de músicos associados ao Festival da Canção que deixou os estúdios vazios – foi isso que abriu espaço para que começássemos a gravar os miúdos todos». António Manuel Ribeiro partilha dessa opinião e vai mais longe. «Tenho uma teoria: acho que o boom do rock português aconteceu em 1980 por causa de uma greve de músicos profissionais e porque apareceram nas editoras pessoas com a nossa idade – como o Francisco Vasconcelos -, que compreendiam a nossa música e que não tiveram problemas em dar–nos uma oportunidade». Essa oportunidade, claro, nasceu porque já havia bandas a trabalhar.

 

«Para mim», explica o vocalista dos UHF, «os Ramones e os Sex Pistols foram grandes referências, por causa de toda aquela simplicidade. Estávamos a sair da década de 70 e do período do prog-rock que assustava qualquer um – porque quando se olhava para cima do palco, com aqueles sintetizadores caríssimos e cenários muito elaborados, qualquer um perdia a esperança de poder formar uma banda. E quando os Ramones apareceram a mensagem era a oposta – simplicidade, “look” de rua, linguagem directa. E era uma coisa muito panfletária, que nos dava uma perspectiva sobre a vida. A geração da música de intervenção ficou ali um bocado sem saber o que dizer, após o 25 de Abril, e nós tínhamos outra visão das coisas». A sintonia entre António Manuel Ribeiro e Francisco Vasconcelos é perfeita: «houve uma geração que inovou muito na década de 60, mas que depois da revolução ficou ali meio encalhada. Estavam habituados a trabalhar sob a censura, a criar em situações adversas e o 25 de Abril esvaziou isso. Esta nova geração era a contra-corrente». Tão contra-corrente que não aderiu a greves: «um artista não faz greve», afirma Francisco Vasconcelos, «e esse ambiente podre no mundo da música quebrou-se». Rui Reininho, vocalista dos GNR, lembra-se bem desses dias: «sempre achei uma prepotência essa história do sindicato. Eu fui dos que não quis fazer exame». «Mas não era só uma nova geração de músicos que estava a despontar», explica Francisco Vasconcelos.

 

Outra das coisas que mudou, como sublinha também Francisco Vasconcelos, foi a maneira de contabilizar os custos destes projectos. Na era da música sindicalizada, os projectos eram contabilizados à hora, com os músicos de estúdio a trabalharem com relógio: «antes, estava tudo a trabalhar com taxímetro», refere Vasconcelos, «e os músicos eram muito mercenários. Por isso, gravar uma banda de rock saía mais barato do que gravar o Carlos Mendes, por exemplo – mesmo que se demorasse mais tempo. Porque os músicos das bandas não recebiam à hora».

 

 

Do punk aos UHF

Os UHF colocaram-se na linha da frente que havia de encenar o boom do rock português porque, quando chegou a altura da edição do single «Cavalos de Corrida», já levavam uma longa caminhada de concertos palmilhados por todo o país, construindo assim de forma sólida um público que, nalguns casos, ainda os acompanha hoje. «Os Xutos», explica Zé Pedro, «adoravam a oportunidade de poderem tocar com os UHF porque isso era a garantia de um concerto com todas as condições». Nesta altura, não eram apenas os discos que faltavam – tudo era raro, até os bons sistemas de som para se tocar. «Lembro-me de um convite para irmos tocar com os UHF ao Soito, ali ao pé do Sabugal, mesmo ao lado de Espanha. E nós lá fomos de comboio, com parte dos instrumentos porque podíamos contar com alguns empréstimos dos UHF. Os amplificadores deles eram muito bons… Ora quando lá chegámos descobrimos que o contrato era para tocarmos hora e meia – mas nós só tínhamos reportório para uma hora! Quando íamos sair de palco disseram-nos que tínhamos que tocar mais uns 20 minutos – por isso, voltámos e fizemos uma versão do “You Really Got Me”, dos Kinks. Eu sabia mais ou menos a letra, a música era simples e por isso tocámos esse tema – facto que é digno de registo porque foi a única vez na carreira dos Xutos que fizemos uma versão desse tema».

 

António Manuel Ribeiro reconhece a ligação estética a bandas como os Aqui d’El Rock, os Faíscas ou os Minas & Armadilhas – mas não demora a afirmar a diferença de quem sempre batalhou por uma identidade da Margem Sul. «Nós tínhamos ali a Lisnave e as siderurgias, havia um operariado que alimentava aquilo tudo e que dava razão de ser às nossas letras. Em Lisboa havia punks com dinheiro suficiente para irem a Londres de avião comprar roupa…». A identificação com os Xutos tem raízes mais fortes. «Comecei a tocar com o Tim em casa de um amigo e depois os Xutos começaram a tocar connosco no Clube do Alfeite. Antes do Rock Rendez-Vous e da Incrível Almadense, havia o Clube do Alfeite – que foi importante para bandas como nós». Nestas coisas da memória quase todos são unânimes em sublinhar a diferença do arranque da década de 80 em Portugal. «Havia mais circulação de ideias do que hoje», afirma António Manuel Ribeiro. «Lembro-me que uma das primeiras pessoas com quem comecei a falar foi com o Pedro Ayres, na altura conhecido por Dedos Tubarão. Acho que havia mais comunhão nesse tempo. O Francis [então guitarrista] dos Xutos e o Alfredo dos Aqui d’El Rock vieram tocar connosco, por exemplo. Mas também havia rivalidades: eu e o Zé Leonel [primeiro vocalista dos Xutos] estávamos sempre a tentar ver quem tocava mais forte».

 

 

Quem vem e atravessa o rio

A história deste boom poderia, porém, ser muito diferente caso a senhora dona Emília Veloso não tivesse uma fé suficientemente forte na arte do filho para pegar numas bobines e levar até à Valentim de Carvalho algumas gravações caseiras do seu rebento. O episódio é descrito no livro Os Vês pelos Bês (publicado pela Prime Books), a biografia autorizada de Rui Veloso assinada por Ana Mesquita. «O António Pinho foi extraordinário. Recebeu-me com enorme delicadeza, ouviu a bobine e disse-me que o achava realmente muito bom. Perguntou-me se ele também cantava em português e respondi-lhe que não sabia se o letrista, o Carlos Tê, estaria disposto a escrever em português. As gravações estavam todas em inglês, mas o António Pinho continuou a ouvir a bobine, até que descobriu o “Chico Fininho” – e foi nessa altura que me disse que queriam o Rui». Emília Veloso não teve dúvidas e encorajou Rui: «meu filho, todos os dias há comboios para Lisboa e está na altura de te pores a andar».

 

Em Julho de 1980, a música mudou em Portugal com a edição de Ar de Rock, o primeiro álbum de Rui Veloso, produzido por António Pinho (que tinha pertencido à Banda do Casaco). Com Zé Nabo no baixo e Ramon Galarza na bateria – eram eles a Banda Sonora -, Rui Veloso tinha feito um álbum em que se rockava em português sem pedir licença a ninguém. O álbum de estreia de Rui Veloso, contra todas as expectativas, foi um enorme sucesso. «Lembro-me que a perspectiva era vender cerca de 5 mil cópias e o álbum ultrapassou as 30 mil unidades – o que era um número sério para uma época em que poucos gira-discos havia ainda no país. Nesse aspecto, éramos um pouco terceiro–mundistas», recorda Veloso. «Mas, quando isso aconteceu, as outras editoras não tardaram a pensar “é pá, pode ganhar-se dinheiro com esta música!” – e a corrida às bandas disparou». E os concertos começaram também a acontecer com maior frequência.

Em 18 de Dezembro de 1980, abria em Lisboa uma sala que ganharia um estatuto mítico: o Rock Rendez-Vous. Rui Veloso foi o primeiro a tocar nesse palco.

 


 

 

 

 

Rui Veloso: Rei sem coroa

Escancarou as portas do rock em Portugal no início dos anos 80 com a edição de Ar de Rock, o álbum de «Chico Fininho» que lhe valeu o título de «Pai do Rock Português». Mas a carreira de Rui Veloso começou a desenhar-se na sua garagem – corriam os anos 70 e ainda se cantava em inglês.

Entrevista Rui Miguel Abreu

Fotos Espanta Espíritos

 

Diz-se que quem tem uma mãe tem tudo – e no caso de Rui Veloso, isso não podia ser uma verdade maior. Não fosse a segurança da dona Emília Veloso nas capacidades do seu filho, não tivesse ela agarrado, às escondidas, nas bobines que o filho tinha gravado e ido mostrá-las a António Pinho, então na Valentim de Carvalho, e a história da música portuguesa seria radicalmente diferente daquela que conhecemos. A reacção de António Pinho foi positiva – fez-se o desafio a Carlos Tê para escrever em português e o resto, quase se poderia dizer, é música. A edição de Os Vês Pelos Bês, de Ana Mesquita, conta precisamente esse caminho. Rui Veloso descreve o livro como sendo «para amigos» e diz que faltam lá muitas histórias para ser uma biografia «completa». Falta-lhe nomeadamente o futuro – porque Rui Veloso não parece ter vontade nenhuma de abrandar e quase parece ter a mesma energia hoje que possuía há 27 anos. Surgiu na cena musical portuguesa com um certo Ar de Rock que soava muito diferente de tudo o resto que se fazia em Portugal na altura: retratos claros de certos tipos com que todos nos íamos cruzando nas ruas, mas que ninguém cantava. Com Carlos Tê, Rui Veloso deu-lhes espessura de canção e uma explosão de criatividade seguiu-se com bandas novas a serem reveladas todos os meses, na imprensa, na rádio e na televisão. Este é o olhar de Rui Veloso sobre essa época.

 

Quando se fala em «boom do rock português» em que é que imediatamente pensa?

Bem, penso numa enorme explosão que sucedeu à saída do Ar de Rock, que foi um disco que deu uma abertura enorme às editoras – que assim começaram a acreditar num tipo de música diferente, que não se fazia antes ou que só se fazia muito esporadicamente.

 

Nesse tempo, quais eram as suas referências na música portuguesa?

Ouvia muito rádio – foi essa a minha formação musical inicial. Os discos, poucos, íamos comprando e trocando. Na música portuguesa, o que eu conhecia, e de que gostava muito, era o Zeca Afonso, o Zé Mário [Branco], o Sérgio [Godinho]… Seguia com atenção o lançamento dos discos no Página Um, do Zé Manuel Nunes…

 

Mas, em termos de rock nacional, ouvia alguma coisa?

Havia alguns grupos, como os Psico, os Tempo ou até os Tantra, que eu acompanhava e de que gostava. Mas eu era ainda muito novo e tinha uma liberdade limitada. Além disso vivia no Porto – uma cidade onde poucas coisas aconteciam. Tinha um lado cultural interessante mas, especificamente na música, passava-se muito pouco. Aliás, acabámos todos por ter que vir para Lisboa.

 


 

 

 

 

O deserto era tal que foi necessário inventar uma cena rock, é isso?

Não diria tanto inventar… Acho que tudo aconteceu de forma natural. Antes não havia nada – e depois as coisas começaram a acontecer. Não nos podemos esquecer que tinha acontecido uma guerra – e a história de Mingos & Os Samurais é um pouco essa, não é? A guerra dividiu muito a malta nova que tinha grupos – havia quem tivesse que ir para a tropa, para a guerra, e isso desintegrava qualquer hipótese de se fazer alguma coisa com continuidade. De qualquer maneira, os músicos continuaram a trabalhar, a aprender, a ouvir rádio e a trocar discos. Eu, por exemplo, fartei-me de fazer aquilo que se faz muito hoje: gravar compilações para amigos, com uma música daqui e mais duas dali. E não só em cassete – em bobine também! Aliás, comprei há pouco tempo um gravador de bobines para ir recuperar certas coisas que fazia. Como não tinha dinheiro para fitas, aproveitava o facto de a fita ser stereo para gravar músicas em mono e ficar com mais tempo de gravação.

 

Um dos rótulos criados nesse tempo foi o do «rock português». Fazia sentido essa designação?

Acho que fazia – e até hoje ainda faz. Há o rock inglês, o rock espanhol e o italiano. São todos diferentes.

 

Mas é apenas uma questão de língua? Não seria mais correcto então falar em «rock em português»?

Não. Acho que era um rótulo que condensava um momento, que agregava uma série de coisas diferentes, umas mais punk, outras mais bluesy. No fundo, esse rótulo queria identificar a nova música portuguesa do pós-25 de Abril ou pós-PREC.

 

E quanto ao outro rótulo famoso da época, o de «pai do rock português?

Achava uma chatice. Era uma responsabilidade que eu enjeitava porque não fiz nada: estava no meu cantinho, fiz umas músicas e gravei um disco, mais nada! Não era pai de nada – ainda por cima só tive uma filha dois anos depois! Acho que isso não tem especial interesse – até porque sempre me considerei mais discípulo do que mestre. E até os mestres são discípulos de alguém.

 

Como era tocar ao vivo nesse tempo? A estreia foi naquele concerto no Algarve com o Steve Harley, não foi?

E com os Gang of Four, que era um grupo com muita piada. Lembro-me que os Gang of Four partiram o camarim todo, até deitaram o telhado abaixo. Mas com razão: estavam a ser maltratados, como eu aliás, pela equipa do Steve Harley.

 

Esse tempo não deixa saudade nenhuma.

Claro que não! É a mesma coisa que um gajo andar num Fiat 600 e depois andar num Mercedes e dizer que tinha saudades do Fiat 600 – não sou assim! Quem começa agora a tocar não faz a mínima ideia de como se tocava na altura: ter que carregar com tudo… E a dificuldade que era para conseguir comprar instrumentos?! Hoje em dia vai-se à net e manda-se vir uma Stratocaster muito rapidamente – mas naquele tempo havia pouca coisa. [Havia] umas três casas de música – e sempre que chegava um instrumento novo os músicos invadiam a loja. Hoje já não é assim.

 

Houve uma série de gente que permaneceu desde essa altura: os Xutos, os UHF, os GNR… Existe algum sentimento de clube que vos una?

Sim, claro, temos essa época em comum. Mas também acho que internacionalmente é um bocado assim. Continua a haver uma série de veteranos com muito sucesso: o [Bruce] Springsteen, o Tom Petty, o Tom Waits, o [Bob] Dylan… Na altura, talvez houvesse muito maior ligação entre os músicos – o sentimento geral foi sempre de irmandade.

 

Para terminar, há algum projecto na manga que possa revelar?

Tenho a ideia de, um dia, fazer um disco na minha casa – eventualmente até aqui neste sítio [NR: a sala de música de Rui Veloso, envidraçada], com algumas das minhas canções favoritas com arranjos meus, simples, com guitarras acústicas e também eléctricas, uma coisa muito orgânica. Quero reunir as coisas de que gosto: do Tom Petty, do Tom Waits, do Bob Dylan…

 

In Blitz, Quinta, 28 de Junho às 9:16

 

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