As minhas sete Maravilhas

Posted: 14 Julho, 2007 in Ambiente, Arte, Barroso, Espectáculo, fotografia, humor, Liberdade, Literatura, Maravilha, Música, Opinião, Política, Portugal, Social

Por Pedro Barroso

NÃO CONCORDO com estas sete maravilhas.
Acho que tudo isto, no fundo, serviu para estarmos entretidos. E para aquele senhor suíço muito alto ganhar uma pipa de massa e visitar o mundo inteiro uma data de vezes. Recebido, calcula-se facilmente, com que mordomias e sorrisos…
E serviu ainda para o pessoal votar, mundo fora, com vantagem evidente e muito discutível para os países mais populosos, proporcionando chauvinismos e nacionalismos mais ou menos visíveis e influentes.

E porquê sete e não setenta?
Sim. Já sei que é o tal número mágico, etc e tal; mas o mundo cresceu, que diabo…Também não concordo que a cerimónia tivesse sido de extraordinário impacto e beleza.
De tarde, a boleia serviu para as nossas maravilhas; e foi outra barbaridade.
O castelo do Almourol, os socalcos do Douro vinhateiro, o Convento de Mafra, Marvão, Monsaraz ficou tudo na gaveta. Não posso acreditar!

Entretanto, os pobres artistas actuavam num quadrado desolador e nu, onde mais parecia que, a qualquer momento, nos brindariam com exercícios de mãos livres, flic flacs e mortais. Essa nudez foi especialmente confrangedora num dueto – de que gostei musicalmente – por ausência de recursos cénicos que poderiam ter amenizado os 40 cm de diferença entre o Camané e a Marisa…

Não gostei da ausência visual da orquestra, encafuada e longe, quase envergonhada, ausente da realização televisiva. Nem cheguei a saber quem era o Maestro – nunca apareceu.

Não gostei da escadaria imensa e cansativa, que produzia tempos mortos a cada chamada ou nomeação.

Não gostei do vestido da Dulce Pontes e não gostei do play-back visível de Carreras e Safinas.

Depois o confuso alinhamento da transmissão continuou, supostamente para o mundo inteiro ver.

Tivemos um senhor das Nações Unidas que se atrasou no avião, não estava e ninguém sabia o que fazer.

Tivemos um documentário pífio sobre Portugal, usando imagens repetidas, outras sem jeito, cortado no início e no fim das frases e comentado num inglês pomposo, mas com pior sotaque que a minha tia Genoveva. Não havia ninguém mais qualificado para ler aquilo?!

Entretanto choviam mais tempos mortos, daqueles que não podem acontecer.
E mais; o Lord Ben Kingsley piscava os olhos à razão de 3 piscadelas por palavra; a coreografia era entre o pindérico e o fraquinho; e o Joaquim Cortez não dançou!
Obs- (Não percebo!? Não era suposto dançar? Não foi contratado para isso? Pagou-se ao homem para vir cá tocar caixa!?).

A Jennifer Lopez foi profissional, cantou directo e dançou, à frente de um grupo de dança acertado e standarizado. Canções daquelas que não me dizem nada, mas enfim, mainstream indiscutível. Cumpriu bem tudo o que se possa esperar daquilo.

No fim, aquela senhora gorducha e cintada (Xaka Quem!?) não sabia sequer em que registo e oitava entoar. Foi um descalabro, de tanto que desafinou e assassinou uma canção lindíssima. Ainda devia era pagar multa quanto mais receber cachet…

Portanto agora, para vos dar uma ideia, aqui deixo a selecção das minhas sete maravilhas, essas sim indiscutíveis.

1ª Maravilha – O arfar da menina Judite quando o peito lhe saltava, ao servir à mesa na cantina do velho Passos Manuel.
2ª Maravilha – A muito, muito curta mini-saia da minha professora de Português do 4º ano, existencialista nouvelle vague.
3ª Maravilha – Passar nos cinemas Paris e Ideal ainda com catorze anos em filmes para dezassete.
4ª Maravilha – A primeira vez que fui homem e a vaidade que senti.
5ª Maravilha – Ter sido aluno de Vergílio Ferreira e, com ele, a descoberta da inteligência.
6ª Maravilha – A gastronomia portuguesa. Toda.
7ª Maravilha – A tua boca, meu amor. Sempre.

As outras, não sei, quero lá saber. Estas sim. Ficaram em mim.

Certificado, promulgue-se, juro por minha honra, a bem da Nação, etc.

Pedro Barroso, eterno maravilhado.

 

In, http://sorumbatico.blogspot.com

Comentários
  1. joziely diz:

    rdfylkflktjpruyb5itu7y5krgçlhklkgldfkgerjtfkg.,dfjg

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