Cavaco também esquece o passado. Ou faz por isso

Posted: 25 Abril, 2008 in Liberdade, Opinião, Política, Portugal, Social
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O Presidente da República lamentou a ignorância dos jovens sobre o «25 de Abril», num discurso bem intencionado mas que resulta estranho.

Cavaco Silva é um dos últimos portugueses que podem demonstrar espanto perante aquilo que designa por «ignorância» dos jovens sobre os valores e personagens da «Revolução dos cravos».

Enquanto primeiro-ministro, Cavaco teve oportunidade de definir um rumo para o país. Dinheiro, meios, tempo. E escolheu o betão. Os fundos europeus para formação tiveram o destino que a história guardou e desses dias sobram alguns quilómetros de auto-estrada, hoje quase sempre em obras.

Um país define-se a partir de valores e estes aprendem-se sobretudo em casa e na escola. No tempo de Cavaco primeiro-ministro o dinheiro parecia importar mais do que tudo. Desde aí os sucessivos governos mais não fizeram do que conduzir o país na mesma linha. Com uma ou outra alteração, mais de estilo do que de conteúdo.

Enquanto outros países se preocuparam em apostar na educação, Portugal deixava cair as suas escolas. Há problemas que se arrastam: professores com escassa formação e demasiada instabilidade profissional; parques escolares degradados; programas confusos e afastados da realidade; formas de ensinar com poucos métodos activos; turmas demasiado extensas. A lista podia continuar. O resultado é conhecido: Portugal está abaixo da média nos rankings internacionais de línguas e matemática.

Nenhum governo democrático, nem mesmo o mais apaixonado, pode dizer que fez da educação a sua prioridade. Isto sim é algo que impressiona e só não surpreende porque todos conhecemos demasiado bem as opções políticas dos últimos 30 anos.

Como se não bastasse, actuações como a do Presidente da República na Madeira, na semana passada, ajudam a baralhar qualquer jovem que tente perceber o funcionamento da democracia.

Numa coisa Cavaco Silva tem razão: o 25 de Abril continua por realizar. Já era assim quando foi primeiro-ministro.

Escrito por Sobras ao qual agradeço.
Não poderia estar mais de acordo, assino por baixo.
Parabéns!

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