Jorge Resende foi despedido após denunciar alegado caso de pedofilia e diz agora que tentaram silenciá-lo com “muito dinheiro”…

Actualização em 11 de Setembro 2008 (vídeo)

Manuel Araújo

Jorge Resende está Suíça desde 1990 e era um dos administradores de sistemas informáticos da maior rádio suíça, a Rádio Suisse Romande (RSR).

Jorge Resende era também  um marido atento, meigo e romântico, pai alegre e activo, que vestia de palhaço para animar as festas das filhas, irradiava alegria e fazia rir todos à sua volta. O Jorge Resende é hoje um homem revoltado, triste e deprimido, devido aos dois anos e meio de “silêncio, de cobardia e sensação de cumplicidade num crime” que o minava por dentro e que não conseguiu calar mais tempo, decidindo então denunciar o alegado caso de pedofilia.

O caso remonta a 2005 quando num processo de manutenção dos servidores, o Jorge descobriu nos computadores da empresa onde trabalhava, a Rádio Suisse Romande, cerca de 400 fotos de crianças em “poses eróticas e de carácter pedófilo”, algumas delas exibindo “objectos sexuais”, pertencentes a um alto quadro da empresa. Durante dois anos e meio, tentou levar a direcção da rádio a denunciar o caso à justiça, mas sem sucesso.

Coagido a remeter-se ao silêncio, transformou-se num “pai severo e irritadiço” e uma pessoa de “palavras agressivas e atitudes de isolamento e ira”, que quase o fez perder a família e o seu casamento. O Jorge não aguentou mais, denunciou o caso e foi demitido imediatamente.

Inconformado e para se fazer ouvir, manifestou-se de várias formas. Viveu dentro do carro em frente à empresa e também a greve de fome utilizou como arma para ser readmitido, mas sem êxito. Foi durante a greve de fome frente à rádio que o tribunal o proibiu de se aproximar da empresa. Segundo ele, tratam-no como se fosse uma “pessoa perigosa”, o que “não corresponde em nada à realidade”- afirma.

Entretanto, os advogados da rádio tentaram silenciá-lo com a oferta de “muito dinheiro”, mas para isso, ele teria de assinar um documento, calar-se e não comentar mais o caso, proposta que não lhe agradou e que foi prontamente rejeitada. Por outro lado diz-nos, que a rádio bem gostaria que ele “aceitasse o dinheiro”. Afirma que não quer calar-se e acrescenta que “era muito dinheiro” que lhe ofereciam. Diz que quer “viver em paz” com a sua consciência, e afirma que “não há dinheiro que a compre”.

No processo que o seu advogado, Jean Lob, especialista em Direitos Humanos moveu contra a rádio por “despedimento abusivo e assédio moral”, reclama uma indemnização de 250 mil francos suíços que se a ganhar, o dinheiro servirá, entre outras coisas, para criar na Suíça uma fundação destinada a ajudar pessoas que são demitidas, vítimas de injustiças, ou alvo de outro tipo de represálias por denunciarem crimes ou irregularidades no interior das empresas onde trabalham”, para isso vai pedir o apoio do politico suíço Dick Marty.

O Jorge quer deixar claro, que não é por dinheiro que processou a empresa, mas sim, para fazer justiça e a obrigar à sua total reintegração. Diz-nos que, “se quisesse dinheiro, não ia para tribunal… aceitava o dinheiro que a rádio quer me dar, que é muito mais, que o que se pede no tribunal”.

Jorge Resende vai iniciar mais uma acção de protesto no dia 15 deste mês. Desta vez, o local será no Palácio Federal (o parlamento Suíço) aquando do início da sessão de Outono. Será um protesto diário, com o fim de distribuir informações e entrar em contacto com “o maior número possível de políticos para falar do caso”, mas não irá permanecer muito tempo junto ao parlamento Suíço, porque tem que se “deslocar a Lisboa no fim de Setembro”.

Nesta luta que se prolonga há vários meses, o Jorge tem o apoio incondicional da maioria dos ex-colegas da rádio onde trabalhou que, segundo ele, “lamentam não poder apoiar (a causa) abertamente” porque alguns queixam-se de “pressões” e outros foram “ameaçados”, mas mesmo assim, eles lançaram uma petição on-line (www.petitionresende.ch) onde apelam à sua reintegração, tendo já reunido mais de duas mil assinaturas.

Jorge Resende refere ainda, que tanto as autoridades portuguesas como a comunidade portuguesa em geral, tem estado alheada deste caso, situação que gostaria de ver invertida e pede para “assinem ao menos a petição”…

Sobre o caso:
A PETIÇÃO:
www.petitionresende.ch
A FAMÍLIA:
http://resende.notlong.com
O LIVRO DE VISITAS:
http://visitas.notlong.com
Neste “Livro de visitas”  alegadamente, a RSR chegou  a contratar uma empresa de comunicação para lhe denegrir a sua imagem e “foi um escândalo quando a imprensa descobriu”.
A AUDITORIA
http://auditor.notlong.com
O AUDITOR DA RÁDIO:
http://www.auditeurs.ch/

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