Papa volta a condenar anticoncepcionais

Posted: 3 Outubro, 2008 in Portugal

CIDADE DO VATICANO (AFP) — O Papa Bento XVI reiterou nesta sexta-feira a condenação da Igreja Católica ao uso de anticoncepcionais, por ocasião dos 40 anos da polémica encíclica “Humanae vitae”, de Paulo VI, sobre o tema, que fechou as portas para qualquer evolução.

“Excluir a possibilidade de dar a vida por meio de uma acção destinada a impedir a procriação significa negar a verdade íntima do amor conjugal”, afirmou o Papa em uma mensagem dirigida aos participantes de um colóquio sobre a “Humanae Vitae” e publicada pelo serviço de imprensa do Vaticano.

O único método contraceptivo admitido pela Igreja Católica, quando o casal passa por “circunstâncias graves” que justificam atrasar os nascimentos é “a observação dos ritmos naturais da fertilidade da mulher” (ou seja a abstinência no período de fertilidade), acrescenta o Sumo Pontífice.

A encíclica “Humanae vitae” provocou em 1968 um terremoto na Igreja Católica e causou o afastamento de muitos fiéis de uma instituição que para eles não levava em consideração as realidades da vida.

Em seu discurso, o Papa admitiu que “o mundo e muitos fiéis têm dificuldades para entender a mensagem da Igreja”, uma mensagem que defende em última instância “a beleza do amor conjugal”.

Para o chefe da Igreja Católica, muito preferem “uma solução técnica, que geralmente é a mais fácil”, mas que “esconde um assunto, que é o sentido profundo da sexualidade humana”.

“A técnica não pode substituir a madura liberdade”, disse.

Bento XVI elogiou os esforços que várias instituições católicas estão realizando para conhecer melhor os “métodos para regulamentar de forma natural a fertilidade humana” e para superar “de forma natural a infertilidade”.

“Os cientistas devem ser estimulados para que com suas pesquisas cheguem a prevenir as causas da esterilidade, de maneira a poder curá-la, para que os casais consigam procriar no respeito da dignidade pessoal e de quem vai nascer”, comentou.

O Vaticano se opõe ferrenhamente ao uso de métodos contraceptivos e à reprodução artificial por meio de doadores de esperma ou do congelamento de embriões.

Publicada em Julho de 1968, a encíclica de Paulo VI, que tinha o subtítulo “Sobre a regulamentação da natalidade”, contém a postura oficial da Igreja Católica a respeito do aborto, controle de natalidade e outras medidas relacionadas à sexualidade.

Quarenta anos depois, esta encíclica papal não foi modificada apesar dos avanços científicos e da transformação da sociedade neste campo. Com isto, vários grupos e expoentes católicos assinaram um pedido dirigido ao Sumo Pontífice para que o documento fosse revogado.

Neste pedido, os católicos consideravam que as posições intransigentes da Igreja, que proíbe inclusive o uso do preservativo, terminaram por favorecer a epidemia de Aids no mundo.

O pedido gerou duras reacções por parte do Vaticano, que o chamou de “propaganda paga pelos fabricantes de contraceptivos”, em uma declaração do porta-voz da Santa Sé, o padre Federico Lombardi.

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Comentários
  1. Num Mundo que cada vez mais se vê ameaçado pelo vírus da SIDA, custa-me a entender o que pretende este papa, com estas proibições aos seus seguidores.

    São posições destas, que fazem com que cada vez mais, os fieis desconfiem das suas verdadeiras intenções e se afastem da sua Igreja.

    Estamos já no século XXI e é pena que ele não siga o caminho dos novos tempos…

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