Liberdade para ameaçar

Posted: 1 Novembro, 2008 in Liberdade, Opinião, Política, Portugal, Social

Em Portugal em 1974, foi derrubada por oficiais do Movimento das Forças Armadas, a ditadura do sucessor de António de Oliveira Salazar, que durou quase cinquenta anos.

Com o 25 de Abril foi conquistada a Liberdade, que temos hoje para falar, escrever, intervir, reclamar e pensar…

Muitos, já não se lembram (ou não querem lembrar) da fome, miséria, falta de liberdade para pensar, expressar ou manifestar que se vivia então.

Eu ainda não esqueci os “bufos” da PIDE, que intimidavam e prendiam tudo e todos e muitas vezes, os prisioneiros eram deportados para o Tarrafal, o campo de concentração do Salazar, onde eram torturados e mortos sem nunca serem julgados…

Não esqueci, as buscas domiciliárias que eram efectuadas procurando aqueles militares “desertores”, que se recusavam fazer a guerra nas “províncias ultramarinas” e que eram aprisionados e enviados à força para a guerra, onde milhares desses jovens portugueses, ingloriamente morreram… para nada.

Esta introdução, vem a propósito do aviso que o antigo chefe do Estado-Maior do Exército Loureiro dos Santos fez, alertando para situações de “injustiça” entre os militares e advertiu que esta conjuntura pode levar a “atitudes irreflectidas, que podem pôr em causa a democracia portuguesa”.

Independentemente das “injustiças” que os militares possam ser alvo, ameaçar a Democracia e a Liberdade desta forma é inaceitável.

Não devem esquecer, que o serviço militar obrigatório acabou. Os militares são actualmente voluntários e profissionais. Ser militar hoje, é uma profissão como qualquer outra, são mercenários e não são obrigados a fazer a guerra e se a fazem, fazem-na livremente e são bem pagos.

Numa altura de crise, onde um emprego é cada vez coisa mais rara, acho que os militares, que tem um emprego, tal como professores e outros que se fartam de gritar, deveriam ser mais solidários com quem nada tem e não esquecerem, que há muitas famílias que já tem dificuldade de alimentarem os filhos.

Aceito contudo, que os militares tal como a generalidade do povo português não esteja a viver como desejaria. Aceito que reivindiquem dentro da cadeia hierárquica melhores condições de vida, mas virem agora e porque são detentores do poder das armas fazer ameaças à Democracia e à Liberdade é inaceitável. Se acham que a profissão não agrada, devem mudar e procurar outra.

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