Zé Zé Fernandes – um “bicho de palco”

Posted: 30 Maio, 2009 in Amares, Belgica, entrevista, Música, Música, Noticias, Videos, Cinema, Fotografía, Geral,, News, Porttuguesa, Portugal, Show, Sociedade, Zurique

Foto para cartazes (Zézé)

Durante a sua carreira envolveu-se em muitos projectos. O primeiro foi o trio musical “Cânticos de Janeiras”, foi co-fundador da “Escola de Música de Instrumentos Tradicionais Portugueses”, participou no “Rancho Folclórico de Ponte da Barca”, foi baterista dos “Fiéis Defuntos”, um grupo heavy metal, fez ainda parte da orquestra “O ó que som tem?”, e também do grupo de rock os “Atacadores Desapertados”, que considera “o maior grupo de rock português de todos os tempos”. Tropeçou ainda na Rádio TSF, ali como Sonoplasta e Operador de Som, mas é no palco, no calor e no vibrar do público que se sente à vontade. A critica define-o como um “bicho de palco”.

Zé Zé Fernandes nasceu em Ponte da Barca, distrito de Viana do Castelo a 26 de Junho de 1966, tem 42 anos e considera-se um “minhoto de gema”. Refere que gosta que as pessoas saibam que é do Minho, “não por uma questão de guerrinhas norte / sul”, mas simplesmente por “orgulho” em ter nascido na terra do vinho “verde”.

Com 8 anos de idade já andava de “acordeão ao peito a tentar fazer alguma coisa”, mas só em 1982 quando o Júlio Pereira lançou o álbum “O cavaquinho”, é que despertou “por completo para a música. E no caso, para o cavaquinho”. Primeiro como amador e depois como profissional. Já anda nisto há 27 anos e falámos com ele.


Manuel Araújo

De que gosta mais, compor ou cantar?
— Sou em primeiro lugar compositor e arranjador, porque componho as minhas músicas e faço arranjos noutros temas para depois os gravar ou interpretar ao vivo. A partir do momento que subo ao palco, sou cantor e instrumentista. Mas gosto mais quando os críticos e o público me definem como “bicho de palco”.

É autodidacta ou tem formação musical?
— Andei a estudar formação musical e guitarra clássica no Conservatório de Música de Viana do Castelo durante um ano. Quando arranquei para o segundo, eis que o dever de servir a Pátria me bate à porta, e catrapumba, Armada Portuguesa. E toca a marchar, um dois esquerdo direito…

Considera então que a formação musical é importante e permite uma melhor “performance” musical?
— Lá estamos nós com a velha questão…. Considero que a formação musical é muito importante para o músico perceber o que está a fazer e o porquê. Mas no entanto, há os célebres casos de Jimmy Hendrix, Janis Joplin e muitos mais que de música (formação) pouco percebiam, mas os resultados são por de todos conhecidos. E agora? Conheço muitos músicos que têm formação e vamos ouvir a sua música e não mora lá nada. E outros que nada sabem e na sua música está lá tudo. O ideal era juntar as duas coisas. No meu caso, tudo que eu faço hoje em palco em termos de movimentação, e interpretação, nasceu comigo, e o resto fui aprendendo a ver os outros.

Quantos trabalhos já editaram?
— Três. “O vinho da nação”, “A dança do lenço” e “Sou do Minho”. O primeiro tem participações do João Aguardela (Sitiados e Naifa), infelizmente já falecido, da Rosa do Canto (actriz de televisão e revista) e do Kiko (jazz e blues). O segundo, José Barros (Navegante) e José David (Gaiteiros e Lisboa). O terceiro tem um dueto com o grande Roberto Leal.

Qual é a vossa editora e onde se podem obter os vossos trabalhos?

— Pode-se considerar que foi edição de autor, se bem que aparece com o nome de Música do Minho. Agora já é a minha editora. As vendas são feitas pela Internet, correio, directamente e principalmente nos meus espectáculos.

Quer classificar e descrever o género da sua música?
— Há uma frase que eu ainda hoje uso para definir a minha música: “Música Pra Pular Portuguesa”. Foi uma frase muito feliz de um empresário (António Sanchez) que serviu para lançar uma tournée minha. Ainda hoje gosto de apresentar a minha música com essa grande frase.

Que importância atribui à letra da música?
— Por acaso, não sou daqueles que valoriza muito as letras, porque gosto muito mais da música do que da escrita. Agora, não estou a ver que a “Rama da oliveira” sem letra fosse a mesma coisa…

Qual a sua opinião sobre o actual panorama musical da música popular portuguesa?
— Olhe, deixei de ter opinião, ou melhor, já nem me interessa ter opinião. Já fui vítima de muitas coisas por falar demais. Falar demais, ”alto e pára o baile”, falar o que deve ser dito sem medos. Como já deve ter reparado, eu sou um “outsider”. Diga-me quais são os canais de televisão que mostram a minha música? E rádios nacionais? Jornais? Revistas? A revolta continua por esta situação, mas enquanto houver rádios e jornais regionais e locais a quererem dar a conhecer a minha música já me sinto preenchido. Ou seja, está tudo bem porque sem o apoio de todos esses que falei, continuo a ser dos artistas portuguesas com mais espectáculos. E sei perfeitamente a quem devo isso.

Os críticos afirmam, que nos seus espectáculos a sua música é capaz de fazer vibrar, exprimir emoção, as cores do Minho e das suas gentes. Qual o segredo?
— A maior parte dos temas do meu espectáculo são músicas do Minho, mas também pego em temas da Amália, António Mafra, Estudantes e temas de outras regiões do país para colorir ainda mais.
O grande segredo, além da música, é a forma como eu e a minha banda se apresentam em palco. Para mim é a força maior do espectáculo. Escusado será dizer, que me inspiro na energia e alegria da música do Minho. Que senão, não era possível toda aquela movimentação em palco.

A crise é generalizada, a vida difícil e quase todos de queixam dela. Dá para viver exclusivamente da música?
— Sim, no meu caso vivo só da música. Melhor dizendo, dos espectáculos que faço por Portugal e estrangeiro.

Então já actuou no estrangeiro. Onde?
— Sim. França, Espanha, Holanda, Bélgica, Inglaterra, Cabo Verde e Venezuela. Só não toco praticamente todos os meses nas comunidades, porque falta todo aquele apoio das televisões para me darem a conhecer aos portugueses espalhados por esse mundo. Porque depois, quando faço os espectáculos para os emigrantes, os resultados são já muito bem conhecidos.

Então diga-nos como o podem contactar?
— Visitando o meu site na Internet (www.zezefernandes.com), através do e-mail (zezefernandes@sapo.pt), telefones (00351 258 454 892 ou 00351 960 224 972), ou caso queiram vir à minha terra beber uma malga de tinto, é só perguntar onde eu moro. Simples, não é?

Para terminar, uma palavra aos nossos conterrâneos
— “Caramba, nunca mais chega o Verão…
Abraços e beijos a todos”

João Aguardela

Imagem19

Deixaste-nos para a tua mais longa tournée. Eu sei que não vamos poder assistir aos espectáculos, mas sei que vais ter à tua disposição o melhor som, as melhores luzes, os melhores técnicos e o melhor público. Vai ser em grande. Olha, não te esqueças de cantar aquela que o pessoal gosta: “Esta vida de marinheiro…”
Quero-te agradecer a participação no meu primeiro CD e Video “O vinho da nação”, e sei que um dia vamos gravar outra música.

Um abraço do amigo
Zézé Fernandes

Zézé Fernandes em Video

Em Ponte de Lima, na Queima das Fitas do Instituto Politécnico de Viana do Castelo:
http://tinyurl.com/qn8py5

No dia do Arraial Minhoto:
http://tinyurl.com/pl6lrk

Em Ponte da Barca, na Romaria de São Bartolomeu:
http://tinyurl.com/p6v5d8

Dueto com o infelizmente já desaparecido João Aguardela dos Sitiados e Naifa. Este tema faz parte do primeiro cd intitulado O vinho da nação:
http://tinyurl.com/paeyoe

Vídeo realizado para a Concentração Motard de Arcos de Valdevez, e mostra-nos em vídeo a parte divertida que Zézé Fernandes:
http://tinyurl.com/qys39l

junho_2009_Page_16


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