Voto – O drama de um Anarquista

Posted: 26 Setembro, 2009 in Política, Porttuguesa, Portugal


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Por Pedro Barroso

O NUNO MELO era o mais bonito e o mais exportável. Preparou muito bem os dossiers e defendeu-se bem nos debates. Gostei muito. E ofendeu e atacou selvaticamente o Constâncio, pessoa de quem não gosto nada, nem do penteado. Claro que aqueles senhores, antes católicos, hoje populares, apesar de terem tirado o Freitas da galeria, são muito antigos. E são contra o aborto, a eutanásia e outras decisões assim, cujas eu indefectivelmente defendo, em nome da liberdade de escolha. Gente de bem. Jeans e blazer, agora sem gravata. O Portas é o mais directo no discurso, sem dúvida. E quando diz aquilo do sustentar quem não quer trabalhar, quem pode discordar dele? A grande e melhor oposição, se existiu, foi dele. Sem espinhas. Mas toda aquela populice me cheira a peixaria contratada. E como ainda não sei se a Katia Vanessa ficou grávida ou não desde aquele passeio que demos a Cacilhas… não me convém. Desconfiemos.

Portanto, então não. Fica à espera.

O Louçã é um rapaz muito alto e inteligente e explica tudo muito bem, mesmo quando não percebo nada e os outros também não, mas fazem de conta que sim. Eu, sinceramente, até me apetece votar no rapaz, porque se vê logo que é uma sumidade. Pena não deixar falar o Tomé, ter trucidado a divertidíssima e inefável UDP e, sobretudo, ser contra as touradas. Chiça, mas alguém no Ribatejo aguenta uma parvoíce destas? O único espectáculo público em que o árbitro não pode ser comprado? O gozo que eu tenho a ver sair um touro! A festa, as cortesias, os cavalos, os forcados, a cor, a imprevisibilidade. A Arte! O perigo! A adrenalina! Não. Assim também não. Há qualquer coisa de monge nele que me desagrada. E aquela mania do casamento gay e de combater a depressão das carpas nas barragens, por obstrução ao livre trajecto do seu percurso sexual natural… Ná! Sou gajo. Gosto de gajas. Estou-me nas tintas para a vida sexual das carpas e gosto de touradas.

Por aqui, nesse caso, visto isto, estamos conversados.

Vejamos então o que nos falta.

O Sócrates nem pensar, caramba. O homem blindou as carreiras, as férias, as reformas, os impostos, rodeou a saúde, importou a gripe e formou-se a um domingo? Teve 4 anos para brilhar e a única coisa que vejo luzir nele é o fatinho de alpaca?! E sobreiros? Quantos sobreiros foram cortados para fazer o Freeport? E envelopes? Tudo muito mal contado. Ou muda de tios e primos, enfim, … a família toda, ou tem de explicar-me como foi a prova de Inglês técnico por Braille, que eu ainda não percebi nada, e a furiosa das sextas foi embora. O homem era mesmo o Primeiro-ministro? Responsável por aquela ministra da Educação? Chiça! É pena, que a criatura até tem boa figura. E a roupa fica-lhe bem – não é como um politico que eu conheço, que mais parece que engoliu um pau e dá uns ares a um manequim que há na Rua dos Fanqueiros. Mas é mais teimoso que um cepo, só para não admitir erro. O ministro da Agricultura perdeu 64 milhões de euros da Europa – isto admite-se? Mas será que alguém sabe fazer contas? E o da Cultura? Existe? Ai Governo, ai Sócrates! Ide dar sangue, carago!

Portanto, é simples: – mesmo que me tenha distraído numa ocasião, desta vez não.

Então o que me resta? Vejamos.

A Senhora Dias Ferreira é um erro de casting. Não era para ser, não devia ser, não tem figura, nem discurso, nem imagem, nem passado glorioso para se meter em apertos destes, e é uma crueldade pedir-lhe que seduza o eleitorado. Ao que parece, quando foi Ministra da Educação, até os filhos fizeram greve. Tirem-na depressa deste filme e ponham lá o outro, uma figura de rapaz alto, louro, apessoado, muito bem-parecido e que ela não quis mais ouvir falar, nem para candidato na freguesia de Stª Comba do Assobio. Aliás, os barões laranja fugiram todos, uns para a privada, outros para os Bancos, outros mergulhados até ao tutano em negócios de milhões. E a senhora, sem staff nem coorte pretoriana que se veja, tem de defender a honra do convento, pondo sapatilhas e fazendo as arruadas para que nunca teve jeito, coitadinha. Reclamo solenemente – é uma crueldade. Em nome da social-democracia. Tenham juízo.

Portanto, nem me alongo mais. Nem pensar.

O Jerónimo é um pão. Um velho charmeur. O homem sabe da poda. Com aquele ar de operário reformado há oito dias e ainda a fazer descontos, enganou-me bem, que o sujeito não é nada parvo. Defende-se na Economia, recita a cassette com algumas alterações, não deixa de ter figura – é mais alto do que parece, e mais ágil do que a idade poderia fazer supor – e foi a melhor aquisição que o partido poderia ter feito. Custa-me que o Carvalhas, coitado, que arcou com aquela crise toda dos reformistas, tenha sumido e ignoro, até, se ainda é vivo. Mas não tinha jeito nenhum para aquilo, graças a Deus. Falava axim. Atrapalhava-se. E os dissidentes, com a sua coragem e inteligência, deram-lhe cabo da pinha. Este não. Hábil, rápido, simpático, arguto, humano, ultrapassou essa fase, limpou a casa e deu um líder muito digno. Claro que mantém uns verdes a fingir, que são uns queridos, acho-lhes imensa graça. Mas não voto nele. Se eu tivesse menos memória, se Karl Marx fosse uma marca de relógios alemã e Lenine uma colónia da Boss, talvez. Se fosse há oitenta anos, talvez acreditasse. Mas sou alérgico a bafio, lembro a Primavera de Praga, Staline, o muro da vergonha. E vivi tudo isso, sendo claustrofóbico em último grau. Um sufoco feio, em nome da liberdade da nomenklatura. Ah! Velhos camaradas de cravo ao peito, como me comoveis! Gente boa e acreditando. Se eu perder a minha carteira, eu quero que ela seja achada por um comunista. Gente séria e honrada, sei que me chegará às mãos. Mas para governar o meu país? Lamento. Há dogmas demais no vosso catecismo.

Nesse caso, portanto, mais uma vez, deixa ficar.

Ah! Restam os pequeninos.

Oh! Como eu gostaria de ir colar cartazes com Carmelinda; investigar um caso diabólico com aquele parecido com o Sherlock Holmes, já sei o nome…! – Garcia Pereira; revoltar-me de portugalidade doentia e fazer tatuagens com os não sei quê renovador; fazer parvoíces na Madeira com o outro, coitado, o sozinho; embarcar no sonho de esperança da Laurinda ou mandar todos para a Cochinchina, como o SMS, perdão msn, perdão,… não sei mesmo o nome daquilo. Ou ser trabalhista, um luxo, que futuro! Ou ser fadista e lutar pelo Rei, caramba, que heroísmo! Ou, em Braga, ser da nova Democracia, se ainda houver. Como me apetecia ver os comícios de toda a gente. Intervir, até, se tivesse paciência, e andar rouco, de bandeira ao vento, apitando o claxon cansado, por estradas de nem sei onde. Tocar bombo. Pôr boné.

E comer cozidos e migas pantagruélicas, e festejar com o povo, sempre generoso.

E acreditar, acreditar mesmo, numa dessas modernidades bem-intencionadas e pândegas.

Ou nas outras; nas opções maiores.

Porém.
…………………………………………….

Maior reflexão não poderia haver. Sou muito sério comigo próprio, mesmo que não pareça. Mas.

Tudo conferido – todos derrotados em mim.

E juro-vos que tenho votado, e vou continuar a votar. Não voto branco. Não voto nulo.

Mas garanto-vos que, apesar de votar em consciência, me estou a divertir imenso. Viva a Democracia.

in http://sorumbatico.blogspot.com

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