Natal – festa agressiva, hipócrita e falsa

Posted: 21 Dezembro, 2010 in Comunidade, Consumidor, Cultura, Eventos, Igreja catolica, money, natal, Opinião, Porttuguesa, Portugal, Reflexões, Religião, Saudade, Solidária, Televisao

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Desde o Outono vêem-se anúncios alegóricos à quadra natalícia, apelando ao consumo nas rádios, nos jornais, na TV e também as montras estão desde há muito decoradas. Quando o dia de Natal chega, já todos estamos fartos de ouvir falar dele…

Recordo que o Natal, foi em tempos um dia da festa da família, principalmente das crianças que preparavam ao pormenor a feitura do presépio para comemorar o nascimento de Jesus. No Minho a noite de consoada era aguardada impacientemente por todos. A família juntava-se à lareira, jogava-se “ao rapa”, preparavam-se os pinhões, contavam-se histórias e anedotas. À ceia, era servido o tradicional bacalhau cozido com couve galega, o arroz de polvo, os formigos, as rabanadas e a aletria. A ceia, era acompanhada pelo vinho verde, pela jeropiga e vinho do Porto. À meia noite ia-se à “Missa do Galo”, onde era frequente lá encontrar alguns homens  já “bem bebidos”. Os presentes deixados durante a noite pelo “Menino Jesus” junto à lareira, eram invariavelmente peças de roupa e eram abertos pelas crianças só na manhã seguinte com grande alegria. O Natal das crianças de hoje, é o dia das prendas do “Pai Natal, da Popota e da Leopoldina” e elas não se contentam só com roupa… os tempos mudaram e as prendas agora são outras; são computadores, telefones, Jogos etc. A nossa sociedade, nos tempos que correm, de moderação, de crise e até de fome, deixam-se infantilmente embalar pelo agressivo e constante apelo ao consumo e esquecem até o significado do Natal.

Sendo o Natal para as crianças o esperado “dia das prendas”, para muitos adultos é também uma oportunidade para se mostrar e fazer ver à sociedade o seu lado “bonzinho”, organizando festas de Natal de “solidariedade”, oferecendo sorrisos,  tendo sempre a especial atenção, de ter órgãos de Comunicação Social por perto.

O Natal, salvo raras excepções é, para algumas pessoas e até instituições, uma oportunidade hipócrita e cínica de mostrar a sua “generosidade” sazonal, expondo e humilhando mediaticamente, gente pobre, triste, envergonhada e até esfomeada, que só gostaria de passar despercebida ou não estar ali.

Em certa parte devido ao desaparecimento de um familiar no dia de Natal quando eu era criança e mais tarde, por ter sido protagonista num grave acidente, deixei de apreciar este dia.

Hoje que sou adulto, ainda é pior devido ao que o Natal se transformou e é actualmente, ou seja, um negócio. O Natal hoje, é apelo ao consumo e ao lucro, à vaidade dos “beneméritos” de ocasião, que só agora reparam nos cadenciados. Deixei há muito de gostar do Natal pela simples razão que é nesta quadra que todos fingem ser bonzinhos e é quando se nota mais o feroz apelo ao consumo supérfluo e ao desperdício. Tudo isto associado a uma grande hipocrisia e cinismo de algumas pessoas e instituições.

Questiono-me porque é só no Natal que se lembram de “banquetear” (humilhar) e de ser “bonzinhos” com os pobres desgraçados, oferecendo-lhes migalhas, expondo-os mediatamente, com o intuito de se autopromover tendo sempre a especial atenção de ter algum órgão de comunicação social por perto.

Faço votos, para que a farsa desta quadra passe depressa e possamos viver o Natal todos os dias do ano…

Manuel Araújo

foto:© Manuel araújo

Comentários
  1. sim é verdade temos um negocio plantado e enraizado que me deixa triste com toda esta situação o Natal á antiga está a desaparecer infelizmente…

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