“devo confessar, que o que eu gostava mesmo, era de viver o resto da minha vida em Caldelas”

Posted: 3 Março, 2011 in Braga, Caldelas, chefe silva, Culinária, Cultura, Exposição, Personalidades, Portugal

Chefe Silva, em entrevista ao Terras do Tomem, não esconde o fascínio por Amares, Caldelas… e pelas papas de sarrabulho.

Baluarte da gastronomia portuguesa, e de forma particular do Minho e de Amares, Chefe Silva promete não faltar a um dos eventos que mais o cativa. Com Caldelas e Amares no coração, aceitou responder a algumas perguntas do jornal Terras do Homem e desvendar sugestões para as boas Papas de Sarrabulho. Um prato que recomenda para qualquer ementa de luxo.

 

Terras do Homem: Como se encontra actualmente e como ocupa o seu dia-a-dia?

Chefe Silva: Estou bem. O meu dia-a-dia, actualmente, passo-o aqui no quintal e também no sofá a ver televisão. Fiz um ‘check-up’ ultimamente e estava tudo em ordem, só que a médica achou que eu devia fazer mais movimento e beber mais água. Fiz-lhe a vontade, agora caminho mais e bebo mais água, mas vinho também… [risos] Continuo a bebê-lo à refeição. Beber moderadamente não faz mal a ninguém e sabe bem…

TH: É verdade que o chefe estudou para ser padre?

CS: É verdade, queriam-me obrigar mas eu não tinha vocação, o que eu gostava mesmo era de mulheres. Vim embora e depois fui para as obras.

TH: Trabalhou na construção civil?

CS: Sim, fui trabalhar para as obras, e depois trabalhei como ajudante de ferreiro em Caldelas e por fim, acabei por ser cozinheiro, mas não era isso que eu queria ser… na verdade, o que eu queria ser era empregado de mesa, para andar limpinho e de lacinho ao pescoço. [risos]

TH: Depois de tantos anos a cozinhar, ainda cozinha?

CS: Agora já não cozinho para mim, mas eu ensino à empregada como se faz e ela cozinha bem…

TH: O IX Festival das Papas em Amares é já na próxima semana. Vai estar presente?

CS: É claro que sim, estarei lá com todo o gosto, se Deus quiser.

TH: Qual é o segredo para umas boas Papas de Sarrabulho?

CS: Umas boas papas não têm segredos. Têm isso sim, técnica.

TH: E pode dizer algo sobre essa técnica?

CS: Basicamente, as papas são sangue, carne do porco, galinha e vaca. Mas um dos ingredientes que não pode faltar é o ‘osso da assuã’. Com estes ingredientes, fazem-se as melhores papas.

TH: O que distingue as Papas de Amares em relação às outras?

CS: As papas em Amares, Braga e Baixo Minho são feitas com pão de trigo. Já no Alto Minho e no Porto, são feitas com farinha de milho. Mas de ambas as formas são muito boas.

TH: Há quem se queixe que as Papas de Sarrabulho são muito pesadas ou indigestas. Porquê?

CS: Não acredito nisso, só se forem comidas em demasia. Todas as comidas que dizem que “fazem mal”, se forem comidas por pessoas saudáveis e com moderação, são saudáveis. Todos sabemos que quase tudo em excesso faz mal…

TH: Recomendaria Papas de Sarrabulho para a ementa de um hotel de luxo?

CS: Sim, é claro que recomendaria e as papas devem ser promovidas e apresentadas em todo o lado.

TH: Em Caldelas, sua terra natal, também existe o hábito de se comerem papas de sarrabulho?

CS: É claro que sim, muita gente as faz e muito bem. Hoje já não se mata o porco, mas as pessoas encomendam os ingredientes no talho para as fazerem em casa.

TH: O que representa para si o Minho?

CS: [risos] O Minho é metade da minha alma e metade do meu coração. No Minho como muito bem, tal como em muitos locais do país, mas o Minho é sempre o Minho… É ao Minho que vou pelo Natal, pelos Santos, pela Páscoa e sempre que posso. É a minha terra. O Minho e a sua gente está sempre no meu coração, mas Amares e Caldelas nem se fala… devo confessar, que o que eu gostava mesmo, era de viver o resto da minha vida em Caldelas.

TH: E o que é que o impede?

CS: [silêncio] Sei lá… é aqui que tenho os meus filhos e aqui é a vida deles, estou dividido…

 

Manuel Araújo

 

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Receita do Chefe Silva para as Papas de Sarrabulho

 

Cozer carne de vaca, galinha velha, osso da assuã e presunto.

Juntar 1 ou 2 cravinhos, uma cebola pequena, louro, salsa e sal.

Depois, retirar as carnes e desfiá-las.

Logo que possa, coar o caldo e juntar pão de trigo cortado à mão, em pedacinhos. Mexer bem até ficar com a consistência de uma sopa forte.

Juntar o sangue de porco cozido, esfarelado previamente num “passe-vite” e temperar com cominhos, sumo de limão e pimenta.

As quantidades devem ficar ao critério de cada um, porque nem todo o pão é igual.

 

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