“Faz mais por vezes pelo seu país um musico, numa hora em cima de um palco, que muitos embaixadores e diplomatas uma vida inteira.”

Posted: 16 Agosto, 2011 in Portugal

Gostaria de aprofundar um pouco as críticas que se fazem muito justamente à política cultural que tem sido recorrente em todos últimos Governos, sendo profundamente solidário com todos os agentes culturais que se sentem feridos e insultados por ela.

De facto, a Arte e a Cultura são expressões maiores e das mais diferenciadoras que existem de um povo e de um País.

Faz mais por vezes pelo seu país um musico, numa hora em cima de um palco, que muitos embaixadores e diplomatas uma vida inteira.

É lamentável que se gaste tanto dinheiro com por exemplo, um exército convencional – será que ainda não se percebeu que hoje já ninguém invade ninguém e que as ameaças de segurança actualmente derivaram de armas e de método? – E tão pouco no culto da imagem externa do país.

Sendo relativamente poucos milhares no computo de uma Nação, os seus artistas e Investigadores, desportistas, etc bem poderiam ser mais ajudados pois são muito mais paradigma nacional que os próprios políticos, sinceramente sempre iguais em toda a parte. Coisa que eles sabem claro, e não gostam…

Talvez daí a sua legislação tergiversa e prolixa num sistema subsidiário que apenas protege e integra os amigos dos amigos. Produzir Arte e Cultura são das formas mais elevadas seguramente, de dar vida a uma imagem morta de Portugal sem chama, adiado e adormecido sob o estigma do insulto político e económico.

No palco ou na galeria de arte, tal como nas pistas e espaços desportivos não há outro rating que o da performance e da verdadeira e evidente qualidade.

A extinção de um simples batalhão, seus vencimentos anuais, gastos militares, armamento pesado e ligeiro, carros militares ou de serviço e outras mordomias, daria para construir 1000 auditórios com piano de cauda e todas as condições técnicas pelo país fora.

Em Portugal verifica-se existir um dos povos com menos conhecimento artístico e musical da Europa. A concepção de divertimento tem andado pelo Marco Paulo, as “Doce”, depois a Ágata e hoje o Tony carreira, para não resumir na canção pinga amor, pelas idas ao futebol e pelas festarolas de foguetório. Lamento mas é verdadeiramente o que sinto – é esse o conceito de celebração de um povo que não lê senão “a bola”, que pensa que Paganini é o ultimo gajo que o Benfica contratou e que Vergílio Ferreira, espera, já sei, parece-me que é um qualquer corredor da Sicasal.

Assim, de facto…vamos continuar a esperar muito tempo ainda, por um país mais culto e com valores e objectivos muito modificados e distantes em relação ao actual provincianismo pimba. E a política cultural parece não ver isto, fechada que está entre as redomas de lóbis do palácio da Ajuda e no espartano espartilho orçamental…

Pedro Barroso

Músico e Maestro

www.pedrobarroso.com

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